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As 8 aldeias de xisto mais bonitas para visitar em Portugal

Escolhemos oito aldeias que não pode deixar de conhecer, duas em cada uma das quatro regiões da rota das Aldeias do Xisto

 

As aldeias de xisto portuguesas têm-se tornado, nos últimos anos, um destino frequente nas escapadelas dos portugueses, mas já tinham sido descobertas por muitos estrangeiros também, alguns que até para aqui vieram viver. Foram conquistados pela localização privilegiada, pelo sossego, pelas raízes. Estas aldeias são espelho do que há de mais tradicional em Portugal, perdidas no tempo e num modo de vida comunitário que, aos poucos, fomos perdendo.

Depois de percorrermos as 27 aldeias que fazem parte da Rota das Aldeias do Xisto, selecionamos neste artigo as aldeias do xisto mais bonitas onde ir, através de um roteiro com o que cada uma tem de melhor. Descubra o que fazer, o que visitar e as nossas sugestões de alojamento em cada uma das quatro regiões existentes.

Dica trivago Se gostaria de ver outras ideias para inspiração, descubra o nosso Guia de Locais a Visitar em Portugal num Fim de semana. Pode encontrar dezenas de sugestões, como aldeias mais bonitas em Portugal, uma roadtrip na Estrada Nacional 2, algumas das cascatas mais bonitas do país e muito, muito mais.

O que ter em conta na preparação de uma escapadinha às Aldeias do Xisto

  • As aldeias são, na sua maioria, bastante próximas umas das outras em cada região. Aproveite sempre para conhecer mais do que uma, vale a pena.
  • Nem todas as aldeias são exclusivamente de xisto, nem todas são paisagens acastanhadas como a nossa imaginação poderia, à partida, achar. Mas todas elas são donas de uma beleza singular, sem exceção.
  • A maior parte das aldeias está localizada em pontos altos ou nas respetivas encostas. Por isso, é preciso ir mentalizado para caminhar, subir e descer e levar calçado adequado e pouco escorregadio.
  • No site oficial da rede das Aldeias do Xisto é possível consultar um mapa detalhado de cada aldeia, para que não se perca nenhum recanto.
  • De uma forma transversal, nas aldeias do xisto come-se bem. Aproveite a viagem para conhecer algumas das melhores iguarias portuguesas.

Tejo-Ocreza

O Grupo Tejo-Ocreza é o grupo mais pequeno, com apenas quatro aldeias do xisto (Água Formosa, Figueira, Martim Branco e Sarzedas) mas, ao mesmo tempo, é o maior grupo em termos territoriais. Dispersas entre Vila de Rei, onde fica Água Formosa e Castelo Branco, onde fica Martim Branco, são todas aldeias com pouca exploração turística e uma doce calma rodeada das cores do Centro de Portugal.

Figueira

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Não vamos mentir: a primeira coisa que pensamos quando nos lembramos de Figueira é da bela refeição que fizemos no seu restaurante. Mas são a beleza das ruas, as ombreiras irregulares, as cortinas de rendas na janela e o cheiro a figos que estava no ar que nos levam a escolhê-la como uma das aldeias mais bonitas (e mais genuínas) que visitámos. É fácil perdermo-nos nas ruas, escondidas à sombra de videiras. E só assim encontramos o forno comunitário, que ainda se mantém em funcionamento (foi de lá que veio o pão que nos serviram no restaurante) e onde é possível ver a tábua de madeira onde cada família, em tempos já idos, usava a sua “trabuleta” para fazer a marcação da sua vez para cozer o pão. As marcas do espírito comunitário que já se viveu na aldeia são inúmeras.

Ao contrário do que é comum nas aldeias portuguesas, em Figueira não há uma capela ou igreja pública. Mas há uma casa particular, uma das mais célebres da aldeia, com capela particular: a Casa da família Balau. Era aqui que o Padre Balau celebrava as missas para toda a comunidade.

Algumas praias fluviais estão a poucos quilómetros de distância, bem como a famosa Foz do Cobrão e as Portas do Almourão.

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Martim Branco

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O nome da aldeia pode enganar, mas em Martim Branco a cor predominante é a do xisto. E aqui vale a pena explorar não só a aldeia, depois de estacionar o carro junto ao forno comunitário, como também as margens do rio. Afinal de contas, em Martim Branco é possível dar um mergulho refrescante na Ribeira de Almaceda, que acompanha o traçado da aldeia. O açude com placas de xisto na vertical transforma a água em agradáveis piscinas.

À porta do café da aldeia, um papel avisa-nos que “há café com cheirinho”. Mas nós estávamos deliciados era com o “cheirinho” a natureza, com o fresco das águas da ribeira a correr, e os risos dispersos da grande família que fazia ali um piquenique. Martim Branco resume-se, basicamente, a duas ruas. Entre elas, vale a pena espreitar a Casa das Artes e Ofícios, o forno comunitário e a sua fonte. Pelo caminho, é preciso reparar nas fechaduras e nos trincos das portas das casas, tão característicos e trabalhados.

Para quem tenha vontade de caminhar, há um percurso pedestre sinalizado (o PR2 CTB – Caminho do Xisto de Martim Branco) e também algumas caches de geocaching espalhadas por ali.

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Zêzere

Do grupo das aldeias do Zêzere fazem parte seis aldeias – Álvaro, Barroca, Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Mosteiro e Pedrógão Pequeno – na sua maioria localizadas, como o nome indica, nas margens do Rio Zêzere. Nesta zona, o rio é dono e senhor da paisagem e das imagens mais marcantes que nos ficam na memória. Pensando bem na questão, talvez tenha sido a vista para o rio que nos levou a selecionar as nossas duas aldeias preferidas.

Álvaro

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Álvaro não é a típica aldeia de xisto: a paisagem, vista da estrada antes de chegarmos, mostra-nos uma aldeia pintada de branco e muito bem aprumada. O xisto está lá, escondido por baixo. É uma aldeia resiliente, que já se recompôs de fortes incêndios, mas que mantém o encanto de aldeia intocada. Talvez seja pela sua fé: em Álvaro, perdemos a conta às igrejas, capelas, capelinhas e alminhas existentes. É uma aldeia grande, com bastantes habitações e edifícios, ruas e ruelas, nascida entre as margens do Zêzere e a Ribeira de Alvelos. Aqui até já houve uma escola primária, uma padaria (de que ainda é possível ver a chaminé industrial) e há inúmeros testemunhos dos tempos da Ordem de Malta.

No adro da igreja matriz, os bancos à sombra do medronheiro garantem um momento de pausa para desfrutar do passar do tempo enquanto, lá em baixo, o Zêzere chama por nós. Álvaro tem dois percursos pedestres sinalizados e uma praia fluvial com estrutura para mergulhos.

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Janeiro de Cima

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Janeiro de Cima conquistou-nos mesmo antes de lá chegarmos. A culpa é do Miradouro da Sarnadela, com uma soberba vista para as curvas do Zêzere e para a convidativa “cama” do pinhal que o envolve.

Mas toda a aldeia é uma agradável surpresa. Nas fachadas, as casas têm uma original conjugação das placas de xisto com seixos rolados dos rios, embutidos aqui e ali. É, logo à primeira vista, uma aldeia diferente, pela particularidade que os seixos conferem à paisagem. Na Casa das Tecedeiras, há um tear gigante para homenagear a tradição da aldeia. Há duas igrejas e várias capelas para visitar. No rio, é possível observar as tradicionais barcas. E até uma roda que retira a água do rio para a rega dos campos, a Roda de Janeiro, que ainda se encontra em funcionamento. À volta da aldeia há um percurso pedestre para explorar.

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Serra do Açor

Na Serra do Açor estão algumas das aldeias mais a norte da rede – Aldeia das Dez, Benfeita, Fajão, Sobral de São Miguel e Vila Cova do Alva. Apesar de a localização nos fazer crer que são também as aldeias a maior altitude, não destronam as aldeias da Serra da Lousã. Aqui, apenas Fajão está no pódio.

Aldeia das Dez

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Aldeia das Dez é uma das aldeias de xisto mais glamorosas, se é que este adjetivo condiz com uma aldeia. É também uma das aldeias com mais habitantes, ultrapassando a centena. Fica na região de Oliveira do Hospital e, aqui, respira-se o ar puro da Serra da Estrela.

A quem chega, Aldeia das Dez recebe com casas cuidadas, uma cabine telefónica vermelha contrastante com a paisagem e uma localização privilegiada, com vistas abertas sobre toda a paisagem que a rodeia. As construções que aqui encontramos são, na maioria, em granito. E são exatamente as construções que mais chamam à atenção: o Solar Pina Ferraz, também conhecido como Casa da Obra, é paragem obrigatória. Pode ter ficado inacabado, mas percebe-se a imponência do que aqui se previa. As curiosidades sucedem-se, com uma casa com um S na fachada, que não é mais do que o reaproveitamento de uma pedra outrora já utilizada.

Na Igreja Matriz, é possível contemplar o trabalho de entalhadores aldeenses. Aqui ainda há, até, uma Rua dos Entalhadores e uma Rua dos Douradores. Para quem quiser caminhar, na aldeia existem três percursos pedestres sinalizados.

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Fajão

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Fajão é uma aldeia peculiar: pode ser pequena, mas aqui há juíz e cadeia. Ou houve, em tempos. A cadeia foi hoje convertida num alojamento e o Juíz de Fajão é um café. O castanho do xisto impera nestas duas e até nos degraus das ruelas. Na aldeia, é possível aproveitar a piscina pública e visitar o Museu Monsenhor Nunes Pereira. Neste Museu está guardado o primeiro telefone público da aldeia e até uma gravura de Fernando Pessoa.

É uma das aldeias a maior altitude, a cerca de 720m, e isso nota-se pelas vistas. Por falar em vistas, vale a pena nos arredores da aldeia subir até aos Penedos de Fajão, e contemplar todo o verde que a rodeia. Ou observar a aldeia, na Senhora da Guia. Fajão tem ainda três percursos pedestres sinalizados.

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Serra da Lousã

A Serra da Lousã é a zona de aldeias de xisto mais conhecida entre os viajantes. É, também, a região que alberga a maior quantidade de aldeias – são dez, ao todo, Aigra Nova, Aigra Velha, Candal, Casal de São Simão, Casal Novo, Cerdeira, Chiqueiro, Comareira, Ferraria de São João, Gondramaz, Pena e Talasnal. O Alto do Trevim, a cerca de 1200m de altitude, permite ver do centro até ao mar, em dias de céu limpo. E as instalações artísticas “Isto é Lousã” (identificadas no Google Maps) tornaram-se presença assídua nas fotografias de quem a visita.

Gondramaz

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Gondramaz é uma pequena aldeia com menos de dez habitantes mas, rapidamente, mostrou-nos que podem ser poucos mas são bons. Uma habitante esclarece quem visita a aldeia que não vive sozinha, pois “vive com os vizinhos” e, nas ruas, há muito cuidado e sentido de humor. Assim que estacionamos o carro, deparamo-nos com um poema de Miguel Torga. Nas fachadas, há apontamentos artísticos. E quando nos perdemos pelas ruas, encontramos o “Beco do Tintol” e a “Loijinha do Bezitante”. Está-se a perceber o sentido de humor?

Esta é uma aldeia acessível a pessoas com mobilidade reduzida, com um “percurso acessível”, o que não acontece com a maior parte das aldeias da rede que, devido à sua inclinação, são serpenteadas por muitas escadarias. Existe ainda outro percurso pedestre sinalizado.

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Talasnal

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O Talasnal é, desde há uns anos, uma das aldeias do xisto mais conhecidas e até já foi cenário para publicidade de grandes cadeias internacionais. Não é difícil perceber porquê, ao passear pelas ruas da aldeia, subir escadas e escadinhas, virar aqui e ali. É uma aldeia imensamente bonita, romântica, pitoresca. É, por ser tão conhecida, uma aldeia mais turística, onde a maior parte das habitações são alojamentos, estabelecimentos ou casas de fim de semana. Aqui, já não há habitantes naturais e poucos são os que aqui realmente habitam. Mas há restaurantes, cafés, espaços culturais e lojas de produtos locais.

Além de vaguear pelas ruas, vale a pena conhecer o lagar de azeite, a fonte e o tanque. Aproveitar a sombra e o aroma das videiras, bem como as cores das floreiras às janelas. E contemplar a vista desafogada da Eira, de onde se vê um imenso verde. Na aldeia existe um percurso pedestre sinalizado.

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