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Cuidar, hospedar e acarinhar: a missão da Quinta de Freixieiro é a mesma há 300 anos

Por , 11 janeiro, 2018

“Esta casa parece que acolhe… que abraça as pessoas”, diz-nos Isabel Faria, dona da Quinta de Freixieiro, um turismo rural situado em Riba de Ave, a apenas 10 minutos de Guimarães e 30 minutos do Porto. “O espírito da casa é just rest; é a pessoa chegar lá e largar tudo à porta. Deixar-se estar. Deixar que a casa faça o que tem a fazer.”

Os primeiros registos da Quinta de Freixieiro datam de 1720, quando esta pertencia ao Convento de Santa Clara de Amarante. Depois de muitas voltas, a quinta acabou por ir parar às mãos de três senhoras da alta sociedade – muito respeitadas e admiradas pelo povo. Na época, dentro da quinta, numa casinha pequena, viviam os caseiros com a sua filha. As três senhoras, solteiras e proprietárias da casa, começaram a afeiçoar-se à filha dos caseiros. Levaram-na para a casa grande e cuidaram dela como se de uma filha se tratasse.

 

Quinta de Freixieiro 3 senhoras

 

“A filha dos caseiros era a minha bisavó.”, explica-nos Isabel.
O afeto e amor que as três senhoras sentiam por ela era tal, que esta acabou por se tornar a herdeira da propriedade. E foi assim que a história da Herdade do Freixeiro se cruzou com a história da família de Isabel Faria.

Hoje em dia esta quinta é considerada a “Casa Mãe” de Guardizela.
Durante “tempos difíceis” foi precisamente esta casa que forneceu comida, carinho e abrigo aos mais necessitados. Desde então o destino da casa é cuidar, hospedar e acarinhar todos os que por aqui passam.

Mas qual é a relação de Isabel com esta casa? E como acabou por abraçar este projeto que hoje em dia recebe pessoas dos quatro cantos do mundo?
Foi isso que fomos descobrir.

“Eu conheço a casa desde pequenina”, confidencia-nos. “Os meus tios viviam no primeiro piso e tudo o resto estava fechado. Eles davam-me aquelas chaves enormes de ferro e eu abria tudo. Coscuvilhava dentro das arcas… para mim aquela era uma casa mágica”.

Quinta de Freixieiro Exterior Casa

Passaram-se anos. Isabel cresceu e fez a sua vida no Porto. As memórias daqueles verões na casa encantada dos tios permaneceram vívidas. Os cheiros, os risos, a companhia dos amigos, as brincadeiras sem fim e os lanches à mesa com a família. Mas a casa que tantas memórias lhe deu começou a degradar-se. A perder a forma e a cor.

Isabel assumiu as obras do Freixieiro.
“E foi assim, de repente, que a casa veio parar até mim. Ainda hoje me ponho a olhar para trás e a pensar… Eu nem sei como isto aconteceu. Eu adorava aquela casa, sempre adorei, mas nunca me passaria pela cabeça que um dia seria minha”.

Isabel recuperou, restaurou e decorou a casa.
Pensou cada detalhe ao pormenor.

Entretanto, num curso intensivo de Yoga, cruzou-se com um professor americano, que tinha planeada uma viagem pelo norte de Espanha e Portugal. Isabel gostou imenso dele e convidou-o para passar pela Quinta de Freixieiro. Neste encontro banal, há cerca de 8 anos, surge um desafio que viria a mudar a história desta casa: “Porque não fazemos aqui uns cursos intensivos de Yoga?”. Isabel decidiu arriscar e a partir daí começou a receber gente de todo o mundo. “Temos pessoas que já vêm há 4, 5 anos. Sempre os mesmos”.

Mas para as pessoas que vinham ano após ano para os cursos de Yoga, aquele encontro não era suficiente. “Porque é que não abres durante o resto do ano? Nós gostávamos de voltar noutras alturas do ano”. E foi assim, desafio a desafio, de conversa em conversa, que a Quinta de Freixieiro, tal como a conhecemos hoje, começou tomar forma.

6 suites, um sótão, uma sala de yoga, 2 salas de estar, uma sala de jantar e uma grande cozinha do séc. XVIII. Jardins misteriosos e uma piscina exterior. Recantos decorados com amor, imaginados ao pormenor.

Quinta Freixeiro Just Relax

Um espaço onde o pequeno-almoço é feito com produtos caseiros, vindos da horta, com fruta do pomar e iogurtes feitos em casa.
Um espaço onde somos recebidos por pessoas da terra, colossais na sua genuinidade e informalidade.
Um espaço com um toque pessoal, com memórias e histórias de outros tempos.
Um espaço que nos enche a alma e nos faz sentir em casa.

Quinta de Freixieiro Actividades

Tranquila por dentro e incitante por fora, esta casa permite o melhor dos descansos, mas também uma verdadeira aventura de descoberta pelo Minho. Dos melhores restaurantes de comida tradicional, a uma volta de barco no Vale do Douro, a uma visita às Caves do Vinho do Porto ou um passeio a Guimarães, os programas são mais que muitos!

“E atividades? O que é que as pessoas podem fazer na quinta?”.
“O nosso lema não é tanto as pessoas fazerem, mas sim as pessoas não fazerem e pararem. Nós já passamos a vida toda a fazer. A ideia é chegar ali e parar. Diminuir o ritmo”, esclarece Isabel.

Na Quinta de Freixeiro o tempo é lento. É de introspeção e descanso. É de apreciação… pelo agora e pelos pequenos prazeres da vida.

Lá irão encontrar uma segunda casa.
Deixem que ela vos abrace.

Ao longo da vida, e durante as nossas viagens, passamos por vários alojamentos e hotéis. Lá cruzamo-nos com pessoas.
Algumas delas simpáticas. Mas que acabamos eventualmente por esquecer. Outras especiais, que guardamos para sempre connosco.

São pessoas raras.
Com a capacidade incrível de tornar uma simples estada numa experiência inesquecível. De transformar um hotel numa segunda casa.

São estas as pessoas que iremos (dar a) conhecer, numa nova série intitulada “O Que Eu Andei Para Chegar Aqui”. Uma série sobre histórias de vida, aventuras e sonhos concretizados. Mas acima de tudo sobre pessoas.

Conhece outros hotéis e alojamentos geridos por pessoas excecionais?

Deixem-nos as vossas sugestões na caixa de comentários e quem sabe essa será a história que teremos o prazer de contar no nosso próximo artigo!

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